Quando alguém decide iniciar um processo terapêutico, uma das primeiras perguntas que pode surgir é:

“Mas como a terapia funciona?”

Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta não é única. Isso porque existem diferentes formas de conduzir um processo terapêutico, a depender da formação, da linha teórica do psicólogo ou psicóloga, e principalmente, da necessidade de cada pessoa que busca acolhimento.

Essas diferentes formas de atuar dentro da psicologia são chamadas de abordagens terapêuticas.

O que são abordagens terapêuticas?

As abordagens terapêuticas são modelos teóricos que orientam o trabalho do psicólogo clínico. Elas ajudam a compreender o comportamento humano, os sentimentos, os pensamentos e a forma como lidamos com as experiências da vida.

Cada abordagem tem seu próprio olhar sobre como os problemas se desenvolvem e, consequentemente, sobre como se dá o processo de cuidado e transformação.

É como se fossem diferentes caminhos que levam ao mesmo objetivo: promover saúde emocional e qualidade de vida.

Por que existem diferentes tipos de terapia?

Assim como cada pessoa é única, os caminhos para o cuidado emocional também podem ser diversos.

Algumas pessoas se conectam melhor com abordagens mais reflexivas, outras se sentem mais confortáveis com metodologias mais práticas e diretas. Há também aquelas que se beneficiam de abordagens que atuam de forma mais profunda nas emoções e memórias, como é o caso das que são baseadas no funcionamento do cérebro.

Ter diferentes possibilidades dentro da psicologia não é um problema — é uma riqueza. E permite que a terapia seja mais personalizada, mais acessível e, muitas vezes, mais eficaz.

Terapias baseadas na fala x terapias baseadas no cérebro

Tradicionalmente, a terapia é associada ao diálogo, ao “falar sobre o que se sente”. E de fato, a fala tem um papel importante na construção do cuidado terapêutico.

Mas a psicologia evoluiu — e com o avanço da neurociência, novas abordagens surgiram, com base em como o cérebro armazena experiências e responde a situações emocionais e traumáticas.

Essas abordagens são chamadas de terapias baseadas no cérebro, e atuam não apenas na narrativa verbal, mas também nos registros sensoriais, emocionais e fisiológicos que ficam gravados ao longo da vida.

Inclusive, já abordei esse tema neste texto aqui.

Onde o EMDR e o Brainspotting entram nesse cenário?

Duas dessas abordagens, que utilizam o conhecimento da neurociência para atuar no cuidado emocional, são o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares) e o Brainspotting.

Ambas têm em comum a proposta de acessar experiências difíceis e auxiliar no seu reprocessamento, promovendo alívio, clareza e integração emocional. Elas não substituem o acolhimento, o vínculo e a escuta — mas trazem uma nova camada de cuidado, que pode ser muito potente, especialmente em casos de traumas ou situações emocionalmente marcantes.

Conclusão

Falar sobre abordagens terapêuticas é falar sobre escolhas, possibilidades e caminhos de cuidado.

E se você está pensando em iniciar terapia ou apenas quer entender melhor como tudo isso funciona, saber que existem diferentes abordagens é um passo importante.Em outros textos, vamos falar com mais profundidade sobre o EMDR e o Brainspotting, para que você entenda melhor como essas abordagens funcionam na prática.